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Guia · Gestão de restaurante

Como calcular o CMV do seu restaurante

O cálculo certo, a diferença entre teórico e real, e como acompanhar o número sem esperar o fim do mês.

Por Marco Túlio Pimenta, Instituto PimentaAtualizado em 19/09/20266 min de leitura

CMV é a sigla para Custo da Mercadoria Vendida: o valor gasto com os insumos (comida, bebida, embalagem) que efetivamente viraram venda no período. A fórmula básica é CMV% igual ao custo das mercadorias vendidas dividido pela receita do mesmo período, multiplicado por 100. Sem esse número, é difícil saber se o preço do cardápio cobre o que ele deveria cobrir.

O que é CMV e o que ele mede no restaurante?

O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) mede quanto do que entrou em insumo, comida, bebida, embalagem, foi consumido para gerar a receita de um período. Ele não é o valor das compras do mês nem o valor do estoque parado: é o que efetivamente saiu para virar prato ou taça servida.

Na maioria dos bares e restaurantes, o CMV costuma ser o segundo maior bloco de custo, atrás só da folha. É também um dos poucos que o dono controla diretamente, via compra, ficha técnica e porção, o que torna o acompanhamento dele mais útil do que o de custos fixos como aluguel.

O CMV aparece de duas formas: em reais (quanto foi gasto em mercadoria vendida) e em percentual sobre a receita (CMV%). O percentual é o que permite comparar meses diferentes, mesmo com faturamento oscilando.

Qual é a fórmula do CMV?

O CMV em reais parte do estoque, não só da nota de compra: CMV em reais = estoque inicial do período + compras do período − estoque final do período. Essa conta existe porque nem tudo que se compra num mês se vende no mesmo mês, e nem tudo que se vende veio de compra recente, parte pode ter saído de estoque parado.

Com o CMV em reais calculado, chega-se ao percentual: CMV% = CMV em reais ÷ receita do período × 100. É esse CMV% que costuma ser comparado com faixas de referência do setor e acompanhado mês a mês.

Exemplo ilustrativoExemplo ilustrativo: suponha um restaurante que iniciou o mês com R$ 20.000 em estoque, comprou R$ 60.000 em insumos e fechou o mês com R$ 15.000 em estoque, após contagem física. CMV em reais = R$ 20.000 + R$ 60.000 − R$ 15.000 = R$ 65.000. Se a receita do mês foi R$ 200.000, o CMV% = R$ 65.000 ÷ R$ 200.000 × 100 = 32,5%. São números redondos apenas para mostrar a conta, não uma referência de resultado esperado.

CMV teórico e CMV real: qual a diferença e por que ela aparece?

O CMV teórico é o que deveria ter sido gasto se cada prato e cada drinque vendido tivesse consumido exatamente o insumo previsto na ficha técnica, sem perda, sem porção errada, sem desperdício. Calcula-se somando o custo de ficha técnica de cada item pela quantidade vendida dele no período.

O CMV real é o que a conta de estoque mostra de fato ter saído (o cálculo com estoque inicial, compras e estoque final descrito acima). Ele carrega tudo que o teórico não prevê: sobra que estragou, porção servida maior do que a ficha manda, erro de lançamento, quebra, furto.

A diferença entre os dois não é erro de conta, é diagnóstico. Quando o CMV real fica consistentemente acima do teórico, o gap costuma indicar onde investigar primeiro: cozinha (porcionamento), bar (dose livre), recebimento (nota divergente) ou controle de estoque (contagem mal feita).

Por que a ficha técnica de prato entra no cálculo do CMV?

Sem ficha técnica de cada prato e drinque, com peso de insumo, rendimento e custo unitário atualizado, não existe CMV teórico para comparar com o real. A ficha é o que permite precificar cada item sabendo a margem que ele deixa, e não só copiar o preço do concorrente.

Ficha técnica desatualizada é uma das causas mais comuns de CMV que sobe sem explicação aparente: o insumo subiu de preço na compra, mas o custo cadastrado no prato continua o antigo. Quem já usa ou pensa em montar ficha técnica de prato encontra essa conexão direta com o CMV: uma alimenta a outra.

Qual é o CMV saudável para bar ou restaurante?

Não existe um número único correto, porque o CMV% depende do tipo de operação, do mix entre comida e bebida, da região e do posicionamento de preço da casa. Ainda assim, é possível falar em faixas de referência amplamente citadas no setor, para orientar, não para prometer:

Essas faixas servem para saber se vale investigar, não para decidir sozinhas se a casa vai bem. Um CMV dentro da faixa com folha de pagamento estourada ainda pode fechar no vermelho, por isso o CMV precisa ser lido junto com a DRE completa e, quando o objetivo é saber quanto a casa precisa vender para não operar no prejuízo, com o ponto de equilíbrio.

Como acompanhar o CMV todo dia, e não só no fim do mês?

Fechar o CMV uma vez por mês mostra a média, mas esconde o dia em que ele descontrolou. Um erro de porcionamento na quinta-feira só aparece no fechamento de 30 dias depois, quando já se repetiu várias vezes.

O caminho prático é acompanhar por semana, cruzando compras, saída de estoque e venda por categoria (comida, bebida, drinque), em vez de esperar a contagem completa de fim de mês. Isso também ajuda a separar CMV de comida do CMV de bebida, já que os dois costumam se comportar de forma diferente e, misturados, escondem qual dos dois está puxando o número.

Esse tipo de rotina semanal é o mesmo raciocínio por trás de acompanhar outros indicadores da operação (ticket médio, ocupação, cancelamento) toda semana em vez de só no fechamento, e é também um dos primeiros lugares para olhar quando a sensação é de que a casa fatura mas o caixa não sobra.

  1. Levante o estoque inicial do período pelo custo de compra dos itens.
  2. Some todas as compras de insumos realizadas dentro do período.
  3. Subtraia o estoque final, apurado por contagem física ao fim do período.
  4. Divida o resultado, o CMV em reais, pela receita do mesmo período.
  5. Multiplique por 100 para chegar ao CMV%.

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Perguntas frequentes

CMV alto sempre significa que o restaurante está no prejuízo?
Não necessariamente, por si só. O CMV precisa ser lido junto com o resto da estrutura de custo, principalmente folha e despesas fixas. Uma casa pode ter CMV dentro da faixa esperada e ainda assim fechar no vermelho por causa de outro custo, ou ter CMV mais alto e compensar com ticket médio maior. O número isolado orienta, não decide sozinho.
Bebida e comida devem entrar juntas no mesmo cálculo de CMV?
É possível calcular um CMV único da casa, mas separar comida de bebida costuma revelar mais. As margens de cada categoria costumam ser diferentes, e um CMV misturado pode esconder qual das duas frentes está puxando o número para cima quando o volume de vendas permitir separar o controle.
Perda, quebra e furto de estoque contam como CMV?
Sim, aparecem no CMV real, porque saem do estoque sem virar venda registrada e, ainda assim, entram na conta de estoque inicial mais compras menos estoque final. Por isso o CMV real tende a ficar acima do teórico, e a diferença entre os dois costuma ser o primeiro lugar a investigar quando o CMV sobe sem explicação.
Dá para calcular CMV em planilha ou é preciso ter sistema?
Planilha funciona, especialmente no começo, desde que a ficha técnica esteja atualizada e a contagem de estoque seja feita com disciplina. O que costuma pesar é o tempo: sistema ajuda quando o volume de itens e movimentações cresce e refazer a conta manualmente todo mês vira um gargalo que atrasa a decisão.
Qual a diferença entre CMV e o markup de um prato?
O markup é definido no cadastro de cada ficha técnica, ao decidir o preço de venda a partir do custo do prato. O CMV é o resultado agregado de todas as vendas do período, incluindo o mix de itens vendidos e as perdas. Os dois se relacionam, mas um markup bem calculado por prato não garante sozinho um CMV saudável no fechamento.
Assinatura de Marco Túlio Pimenta
Marco Túlio Pimenta

Mais de 20 anos de experiência em comércio, restaurantes, consultoria financeira, criação de software e tecnologia. Conduz a Consultoria de Gestão do Instituto Pimenta e é autor de 17 livros sobre empreendedorismo e finanças.

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