Guia · Gestão de restaurante
Como calcular o CMV do seu restaurante
O cálculo certo, a diferença entre teórico e real, e como acompanhar o número sem esperar o fim do mês.
CMV é a sigla para Custo da Mercadoria Vendida: o valor gasto com os insumos (comida, bebida, embalagem) que efetivamente viraram venda no período. A fórmula básica é CMV% igual ao custo das mercadorias vendidas dividido pela receita do mesmo período, multiplicado por 100. Sem esse número, é difícil saber se o preço do cardápio cobre o que ele deveria cobrir.
O que é CMV e o que ele mede no restaurante?
O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) mede quanto do que entrou em insumo, comida, bebida, embalagem, foi consumido para gerar a receita de um período. Ele não é o valor das compras do mês nem o valor do estoque parado: é o que efetivamente saiu para virar prato ou taça servida.
Na maioria dos bares e restaurantes, o CMV costuma ser o segundo maior bloco de custo, atrás só da folha. É também um dos poucos que o dono controla diretamente, via compra, ficha técnica e porção, o que torna o acompanhamento dele mais útil do que o de custos fixos como aluguel.
O CMV aparece de duas formas: em reais (quanto foi gasto em mercadoria vendida) e em percentual sobre a receita (CMV%). O percentual é o que permite comparar meses diferentes, mesmo com faturamento oscilando.
Qual é a fórmula do CMV?
O CMV em reais parte do estoque, não só da nota de compra: CMV em reais = estoque inicial do período + compras do período − estoque final do período. Essa conta existe porque nem tudo que se compra num mês se vende no mesmo mês, e nem tudo que se vende veio de compra recente, parte pode ter saído de estoque parado.
Com o CMV em reais calculado, chega-se ao percentual: CMV% = CMV em reais ÷ receita do período × 100. É esse CMV% que costuma ser comparado com faixas de referência do setor e acompanhado mês a mês.
CMV teórico e CMV real: qual a diferença e por que ela aparece?
O CMV teórico é o que deveria ter sido gasto se cada prato e cada drinque vendido tivesse consumido exatamente o insumo previsto na ficha técnica, sem perda, sem porção errada, sem desperdício. Calcula-se somando o custo de ficha técnica de cada item pela quantidade vendida dele no período.
O CMV real é o que a conta de estoque mostra de fato ter saído (o cálculo com estoque inicial, compras e estoque final descrito acima). Ele carrega tudo que o teórico não prevê: sobra que estragou, porção servida maior do que a ficha manda, erro de lançamento, quebra, furto.
A diferença entre os dois não é erro de conta, é diagnóstico. Quando o CMV real fica consistentemente acima do teórico, o gap costuma indicar onde investigar primeiro: cozinha (porcionamento), bar (dose livre), recebimento (nota divergente) ou controle de estoque (contagem mal feita).
Por que a ficha técnica de prato entra no cálculo do CMV?
Sem ficha técnica de cada prato e drinque, com peso de insumo, rendimento e custo unitário atualizado, não existe CMV teórico para comparar com o real. A ficha é o que permite precificar cada item sabendo a margem que ele deixa, e não só copiar o preço do concorrente.
Ficha técnica desatualizada é uma das causas mais comuns de CMV que sobe sem explicação aparente: o insumo subiu de preço na compra, mas o custo cadastrado no prato continua o antigo. Quem já usa ou pensa em montar ficha técnica de prato encontra essa conexão direta com o CMV: uma alimenta a outra.
Qual é o CMV saudável para bar ou restaurante?
Não existe um número único correto, porque o CMV% depende do tipo de operação, do mix entre comida e bebida, da região e do posicionamento de preço da casa. Ainda assim, é possível falar em faixas de referência amplamente citadas no setor, para orientar, não para prometer:
Essas faixas servem para saber se vale investigar, não para decidir sozinhas se a casa vai bem. Um CMV dentro da faixa com folha de pagamento estourada ainda pode fechar no vermelho, por isso o CMV precisa ser lido junto com a DRE completa e, quando o objetivo é saber quanto a casa precisa vender para não operar no prejuízo, com o ponto de equilíbrio.
- Restaurante à la carte: costuma girar entre 28% e 35%
- Casa com forte peso de bebida e vinho, como um wine bar: tende a puxar o CMV médio para baixo, porque bebida engarrafada costuma ter markup maior que prato
- Buffet e self-service por peso: variam mais, por causa de desperdício de bandeja e reposição
- Casas de alto padrão com proteína nobre: podem operar com CMV mais alto e compensar em ticket médio
Como acompanhar o CMV todo dia, e não só no fim do mês?
Fechar o CMV uma vez por mês mostra a média, mas esconde o dia em que ele descontrolou. Um erro de porcionamento na quinta-feira só aparece no fechamento de 30 dias depois, quando já se repetiu várias vezes.
O caminho prático é acompanhar por semana, cruzando compras, saída de estoque e venda por categoria (comida, bebida, drinque), em vez de esperar a contagem completa de fim de mês. Isso também ajuda a separar CMV de comida do CMV de bebida, já que os dois costumam se comportar de forma diferente e, misturados, escondem qual dos dois está puxando o número.
Esse tipo de rotina semanal é o mesmo raciocínio por trás de acompanhar outros indicadores da operação (ticket médio, ocupação, cancelamento) toda semana em vez de só no fechamento, e é também um dos primeiros lugares para olhar quando a sensação é de que a casa fatura mas o caixa não sobra.
- Levante o estoque inicial do período pelo custo de compra dos itens.
- Some todas as compras de insumos realizadas dentro do período.
- Subtraia o estoque final, apurado por contagem física ao fim do período.
- Divida o resultado, o CMV em reais, pela receita do mesmo período.
- Multiplique por 100 para chegar ao CMV%.
O que levar deste guia
- CMV% = CMV em reais dividido pela receita do período, multiplicado por 100
- CMV em reais parte do estoque: estoque inicial mais compras menos estoque final
- CMV teórico (ficha técnica) e CMV real (estoque) devem ser comparados; a diferença indica onde investigar
- As faixas de referência variam por tipo de casa e pelo mix entre comida e bebida
- CMV precisa ser lido junto com a DRE e o ponto de equilíbrio, não isolado
- Acompanhar por semana evita descobrir o problema só no fechamento do mês
Perguntas frequentes
CMV alto sempre significa que o restaurante está no prejuízo?
Bebida e comida devem entrar juntas no mesmo cálculo de CMV?
Perda, quebra e furto de estoque contam como CMV?
Dá para calcular CMV em planilha ou é preciso ter sistema?
Qual a diferença entre CMV e o markup de um prato?

Mais de 20 anos de experiência em comércio, restaurantes, consultoria financeira, criação de software e tecnologia. Conduz a Consultoria de Gestão do Instituto Pimenta e é autor de 17 livros sobre empreendedorismo e finanças.
Sistema O Consultor
E se esse registro fosse a rotina, e não mais uma tarefa?
O CMV nasce do que foi comprado e do que sobrou no estoque — e essa conta só fecha se compra e contagem estiverem registradas. No Sistema O Consultor, esse registro é a própria rotina da casa: compras, estoque e caixa no mesmo lugar, e o atendimento respondendo e marcando no WhatsApp. A contratação é por módulo, você mesmo configura e não tem fidelidade.
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