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Guia · Gestão de restaurante

DRE para restaurante: como montar e ler

Como organizar receita, CMV, outros custos variáveis, margem de contribuição e custos fixos em uma DRE que mostra se o restaurante lucrou ou não no período.

Por Marco Túlio Pimenta, Instituto PimentaAtualizado em 19/09/20267 min de leitura

A DRE (Demonstração do Resultado) organiza, em uma única tela, tudo o que o restaurante faturou, gastou e sobrou em um período. Para montar, você separa a receita bruta, desconta impostos, CMV e outros custos variáveis até achar a margem de contribuição, depois subtrai os custos fixos e chega ao resultado. Para ler, compara cada linha com o mês anterior antes de decidir.

O que é a DRE e para que ela serve no restaurante?

A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício, ou do período, quando é gerencial) é o relatório que reúne tudo o que entrou como receita e tudo o que saiu como custo e despesa em um intervalo de tempo, para chegar em um número final: lucro ou prejuízo. Ela é diferente do extrato bancário ou do fluxo de caixa, que mostram dinheiro entrando e saindo; a DRE mostra resultado por competência, ou seja, quando a venda e o gasto aconteceram, não quando o dinheiro trocou de mão. Esse ponto separa DRE de fluxo de caixa e explica por que os dois podem contar histórias diferentes no mesmo mês.

Para o dono de restaurante, a DRE serve para responder uma pergunta simples que a intuição sozinha não responde direito: no fim do mês, sobrou dinheiro do negócio ou o negócio está sendo sustentado por outra fonte, como empréstimo ou aporte? Sem essa demonstração organizada, é comum confundir "o caixa está cheio" com "o restaurante deu lucro", que são coisas diferentes.

Como montar a DRE de um restaurante, linha por linha?

A estrutura básica de uma DRE de restaurante segue uma ordem lógica, de cima para baixo, em que cada linha desconta algo da anterior. Vale montar essa planilha mês a mês, sempre no mesmo formato, para permitir comparação. Um ponto que costuma passar despercebido: o CMV não é o único custo que varia com o volume vendido, e tratá-lo como se fosse acaba empurrando outros gastos variáveis para dentro dos custos fixos, o que infla a margem de contribuição e distorce o cálculo do ponto de equilíbrio mais adiante.

Exemplo ilustrativoSuponha, apenas como exemplo ilustrativo, um restaurante fictício com receita bruta de R$ 100.000 no mês. Se as deduções somarem R$ 8.000, a receita líquida fica em R$ 92.000. Se o CMV for de R$ 32.000, e para simplificar este exemplo não houver outros custos variáveis lançados à parte, a margem de contribuição é R$ 60.000. Se os custos fixos somarem R$ 50.000, o resultado operacional é R$ 10.000 nesse mês hipotético. Em um restaurante real que trabalhe com cartão e aplicativo de delivery, essas taxas normalmente existem e reduzem a margem de contribuição antes de chegar a esse resultado.

Qual a diferença entre DRE contábil e DRE gerencial (ou monetária)?

A DRE contábil segue as normas contábeis e a legislação fiscal, é produzida pelo contador, usa o regime de competência de forma rígida e serve para obrigações legais, apuração de impostos e prestação de contas formal. Ela tende a agrupar despesas em contas contábeis padronizadas, que nem sempre falam a língua de quem toca o caixa do restaurante todo dia.

A DRE gerencial, às vezes chamada de DRE monetária ou operacional, é construída para decisão, não para o fisco. Ela pode reorganizar as mesmas informações em categorias mais úteis ao dono, como CMV separado por alimento e bebida, custos variáveis separados de custo fixo, custo fixo separado por área (cozinha, salão, administrativo) e acompanhamento mais frequente do que o fechamento mensal contábil. As duas devem, no fim, chegar a um resultado compatível; a diferença está na forma como os dados são organizados e na frequência de leitura, não na realidade que descrevem.

O que precisa ser separado da DRE do restaurante para não distorcer o resultado?

Um erro comum é misturar movimentações que não são da operação do restaurante dentro das linhas de receita ou despesa, o que faz a DRE mentir sobre o resultado real do negócio. Três casos aparecem com frequência.

Como ler cada linha da DRE para decidir sobre o restaurante?

Montar a DRE é metade do trabalho; a outra metade é ler cada linha comparando com o histórico do próprio restaurante, não com uma média de mercado.

Exemplo ilustrativoAcompanhar essas linhas junto de indicadores semanais, além do fechamento mensal completo da DRE, ajuda a perceber um desvio de CMV, de custo variável ou de custo fixo antes que ele vire um resultado negativo acumulado.

Exemplo de DRE simplificada de restaurante

A seguir, um exemplo puramente ilustrativo de DRE gerencial simplificada, para deixar claro como as linhas se encaixam. Os valores são fictícios e servem só para mostrar a lógica de cálculo, não representam nenhum restaurante real. Por simplicidade, este exemplo não tem uma linha separada de outros custos variáveis nem de IR/CSLL sobre o lucro, o que é coerente para um restaurante no Simples Nacional, em que esse tributo já está embutido na linha de deduções e impostos sobre a venda; em Lucro Presumido ou Lucro Real, entraria uma linha adicional de imposto sobre o resultado antes do resultado líquido.

Exemplo ilustrativoReceita bruta: R$ 100.000 Deduções e impostos sobre venda: R$ 8.000 Receita líquida: R$ 92.000 CMV: R$ 32.000 Margem de contribuição: R$ 60.000 Custos fixos: R$ 50.000 Resultado operacional: R$ 10.000 Despesas financeiras (juros): R$ 2.000 Resultado líquido do período: R$ 8.000 Esse resultado líquido de R$ 8.000, neste exemplo hipotético, é o que sobrou da operação depois de pagar tudo, sem contar retirada de sócio, amortização de empréstimo ou despesa pessoal, que ficam fora dessa demonstração, como visto na seção sobre o que separar da DRE.

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Perguntas frequentes

A DRE do restaurante deve ser mensal ou pode ser semanal?
A DRE contábil costuma ser mensal, seguindo o fechamento do contador. A DRE gerencial pode ser acompanhada em janelas mais curtas, inclusive semanais, para captar problema de CMV ou de fluxo de vendas mais rápido. O importante é manter o mesmo período de comparação, mês contra mês ou semana contra semana, para a leitura fazer sentido.
O pró-labore do sócio entra como custo fixo na DRE?
O pró-labore formal, com valor definido e recorrente, pode entrar como custo fixo, já que remunera o trabalho de gestão. Já retiradas variáveis de lucro, sem vínculo com uma função exercida, são distribuição de resultado, não despesa operacional, e devem ficar separadas para não distorcer a margem.
Por que meu restaurante deu lucro na DRE mas o caixa está vazio?
Porque a DRE trabalha por competência, ou seja, registra receita e despesa no período em que ocorreram, não em quando o dinheiro entrou ou saiu. Um empréstimo recebido, uma compra parcelada ou um recebível de cartão que ainda não caiu explicam boa parte dessa diferença entre lucro no papel e saldo em conta.
Preciso de contador para montar a DRE gerencial?
A DRE contábil formal, para fins fiscais, precisa de contador. A DRE gerencial pode ser montada por você, com os mesmos dados de venda, compra e custo, organizados de um jeito mais útil para decisão do dia a dia. As duas devem bater no resultado final, mesmo com estrutura diferente.
Qual a diferença entre CMV e margem de contribuição?
O CMV é o custo do que foi efetivamente consumido para gerar a venda, ingrediente e bebida. A margem de contribuição é o que sobra da receita líquida depois de descontar o CMV e os demais custos variáveis, como taxa de cartão e comissão de aplicativo de delivery, ou seja, o valor disponível para pagar custo fixo e, no que sobrar, formar o resultado do período.
Assinatura de Marco Túlio Pimenta
Marco Túlio Pimenta

Mais de 20 anos de experiência em comércio, restaurantes, consultoria financeira, criação de software e tecnologia. Conduz a Consultoria de Gestão do Instituto Pimenta e é autor de 17 livros sobre empreendedorismo e finanças.

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