Instituto PimentaAuditoria e Consultoria
WhatsApp

Guia · Gestão de restaurante

Indicadores para acompanhar toda semana no restaurante

Sete números bastam para saber, toda semana, se o negócio está indo bem ou pedindo atenção, sem virar refém de planilha.

Por Marco Túlio Pimenta, Instituto PimentaAtualizado em 19/09/20266 min de leitura

Os indicadores para acompanhar toda semana em um bar ou restaurante são sete: venda comparada à meta, CMV da semana, ticket médio, taxa de no-show das reservas, custo de aquisição por reserva (quando há anúncio), contas a pagar dos próximos sete dias e giro de estoque. O objetivo não é abrir trinta abas, é decidir rápido com poucos números confiáveis.

Quais indicadores olhar toda semana no restaurante?

A rotina semanal existe para responder uma pergunta simples: esta semana foi boa, foi normal ou está acendendo um alerta? Para isso não é preciso o conjunto completo de indicadores de uma DRE mensal, que exige fechamento e competência. Bastam sete números que já nascem do caixa e das compras do dia a dia.

Cada um deles cobre uma frente diferente do negócio: quanto entrou, quanto custou para vender, quanto cada cliente deixou, quantas reservas viraram mesa vazia, quanto custou trazer essa reserva (se houver anúncio pago), o que vai vencer nos próximos dias e como o estoque está girando.

Como calcular venda x meta e ticket médio da semana?

A comparação entre venda e meta é o ponto de partida porque dá o tom da leitura inteira. A fórmula é: percentual da meta atingida igual a venda realizada na semana dividida pela meta da semana, multiplicado por cem. A meta semanal, por sua vez, deveria vir de uma referência real, como o valor de faturamento diário que cobre custos fixos e variáveis, tema tratado no guia sobre ponto de equilíbrio, multiplicado pelos dias de funcionamento da semana.

O ticket médio mostra se o problema (ou o mérito) está em quantas pessoas vieram ou em quanto cada uma gastou. A fórmula é: ticket médio igual a venda total da semana dividida pelo número de atendimentos da semana, sendo atendimento cada mesa fechada ou cada cliente atendido, dependendo de como o sistema do restaurante registra isso.

Exemplo ilustrativoExemplo ilustrativo: suponha um restaurante fictício com meta semanal de R$ 50.000,00 que fechou a semana com R$ 46.500,00 em vendas e 620 atendimentos. O percentual da meta atingida seria de 93%, e o ticket médio, de R$ 75,00. Esses números não representam nenhum restaurante real, servem só para mostrar a conta.

Como calcular o CMV da semana sem parar para contagem completa de estoque?

O CMV fechado com precisão exige contagem física de estoque no início e no fim do período, o que normalmente só vale a pena fazer uma vez por mês, como explica o guia sobre como calcular o CMV do restaurante. Para a leitura semanal, o caminho prático é uma aproximação: CMV da semana igual a compras de insumos feitas na semana dividido pela venda da semana, multiplicado por cem.

Essa aproximação funciona porque, na maioria dos restaurantes, o estoque de insumos perecíveis gira rápido, então o que se compra em uma semana tende a se aproximar do que se consome nela. Ela serve para detectar desvios bruscos, um CMV muito acima do padrão do restaurante nessa semana específica, mas não substitui o fechamento mensal com contagem completa, que é o número que deveria entrar na DRE.

Exemplo ilustrativoExemplo ilustrativo: no mesmo restaurante fictício acima, suponha compras de insumos de R$ 15.500,00 na semana, sobre venda de R$ 46.500,00. O CMV aproximado da semana seria de 33%. Se o padrão histórico desse restaurante fosse 30%, os três pontos de diferença já mereceriam uma pergunta: houve desperdício, furo de porção nas fichas técnicas ou reajuste de fornecedor não repassado ao cardápio?

Como acompanhar no-show e custo de aquisição por reserva?

A taxa de no-show mostra quanto do movimento esperado simplesmente não apareceu. A fórmula é: taxa de no-show igual ao número de reservas confirmadas que não compareceram dividido pelo total de reservas confirmadas na semana, multiplicado por cem. Esse número importa porque mesa reservada e vazia é custo fixo rodando sem receita.

Quando o restaurante anuncia para gerar reservas, faz sentido acompanhar também o custo de aquisição por reserva: valor investido em anúncios na semana dividido pelo número de reservas originadas desse anúncio. Sem esse número, não dá para saber se o anúncio está trazendo reserva a um custo que o caixa aguenta ou só gerando clique sem conversão. Quem não anuncia pode pular esse indicador sem prejuízo para o resto da rotina.

Como entram contas a pagar e giro de estoque nessa rotina semanal?

Contas a pagar da semana não é indicador de desempenho, é indicador de fôlego de caixa: a soma de tudo que vence nos próximos sete dias, fornecedores, boletos, folha e impostos. Olhar isso junto com a venda da semana ajuda a reduzir a chance de cair na situação clássica descrita no guia sobre DRE x fluxo de caixa, em que o resultado no papel é positivo, mas o caixa aperta porque os vencimentos se concentraram numa semana de venda mais fraca.

O giro de estoque semanal, versão simplificada, é: custo da mercadoria vendida na semana dividido pelo estoque médio de insumos no período. Um giro muito baixo sinaliza dinheiro parado em prateleira, geralmente insumo comprado em excesso ou item de cardápio que saiu de moda. Um giro alto demais, por outro lado, pode indicar risco de falta e cardápio interrompido no meio do serviço.

Como montar essa leitura semanal sem virar planilha eterna?

O erro mais comum não é olhar poucos números, é tentar olhar todos e desistir na terceira semana porque a planilha virou um segundo trabalho. A saída é fixar um horário curto, sete indicadores, e nada além disso na rotina semanal. O restante, DRE completa, ficha técnica de cada prato, avaliação de sistema de gestão, entra em ritmos mais longos, mensal ou por demanda.

Vale registrar cada semana em uma linha só, não em um relatório novo. O que importa comparar é a série ao longo do tempo, não o número isolado de uma semana.

O que levar deste guia

Perguntas frequentes

Preciso olhar esses sete indicadores todo dia ou só uma vez por semana?
A venda do dia normalmente já é acompanhada diariamente, isso é caixa. Os sete indicadores desta rotina são uma leitura semanal, feita uma vez, para enxergar padrão e não ruído do dia isolado. Olhar CMV ou ticket médio todo dia tende a gerar reação a variações que costumam se resolver sozinhas em dois ou três dias.
O CMV calculado por semana é tão preciso quanto o CMV do fechamento mensal?
Não, e não deveria ser tratado como tal. O CMV semanal é uma aproximação baseada em compras, útil para sinalizar desvio brusco. O CMV que entra na DRE e nas decisões de precificação precisa vir do fechamento mensal com contagem física de estoque no início e no fim do período.
Se eu não faço anúncio, ainda preciso acompanhar custo de aquisição por reserva?
Não. Esse indicador só faz sentido para quem tem verba ativa em anúncio gerando reserva. Sem anúncio, a rotina semanal funciona normalmente com os outros seis números, venda x meta, CMV, ticket médio, no-show, contas a pagar e giro de estoque.
Quanto tempo essa rotina semanal deveria tomar?
Com os dados organizados, entre vinte e quarenta minutos costuma bastar para puxar os sete números, comparar com a semana anterior e anotar o que precisa de atenção. Se está tomando mais que isso toda semana, geralmente é sinal de que os dados não estão centralizados em um lugar só.
O que fazer quando um indicador foge muito do esperado?
Primeiro, confirmar se não é erro de lançamento, reserva duplicada, compra registrada na semana errada. Depois, isolar a causa antes de agir: CMV alto pode ser desperdício, porção fora da ficha técnica ou fornecedor que reajustou preço sem repasse ao cardápio. A leitura semanal serve para levantar a bandeira, não para decidir no mesmo minuto.
Assinatura de Marco Túlio Pimenta
Marco Túlio Pimenta

Mais de 20 anos de experiência em comércio, restaurantes, consultoria financeira, criação de software e tecnologia. Conduz a Consultoria de Gestão do Instituto Pimenta e é autor de 17 livros sobre empreendedorismo e finanças.

Sistema O Consultor

E se esse registro fosse a rotina, e não mais uma tarefa?

Indicador semanal só existe se alguém lançar a semana. É aí que a maioria para. No Sistema O Consultor, esse registro é a própria rotina da casa: compras, estoque e caixa no mesmo lugar, e o atendimento respondendo e marcando no WhatsApp. A contratação é por módulo, você mesmo configura e não tem fidelidade.

Por módulo · você mesmo configura · sem fidelidade